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sexta-feira, 24 de abril de 2015

AS OBRAS DE PETER DRUCKER


100 ANOS DE PETER DRUCKER


O Primeiro na Administração

            Ele é chamado de “o pioneiro da administração” e foi mais do que um pensador. Peter Drucker foi o quem criou o conceito de administração como disciplina, intelectual e prática.Em sua trajetória profissional esteve presente nos ensinos acadêmicos, no jornalismo, na consultoria e na história socioeconômica. Esta experiência rica acabou por produzir um “mix” de popularidade, rigorosa intelectualidade, prática e conhecimento profundo das tendências mais importantes. Suas idéias sobre administração e economia influenciam teóricos e executivos. Entre estas, diversas maneiras que tornam possíveis às empresas e aos executivos serem mais eficazes. Exemplo de espírito inovador, sempre buscou o novo, e por isso mesmo foi o primeiro a identificar e escrever, em 1969, sobre a “sociedade do conhecimento”. Sempre conseguiu percebeu, antes do que qualquer outro, o que estava acontecendo na sociedade e no mundo. Por isso mesmo, por seu arguto olhar sobre a economia e a administração, suas opiniões muitas vezes iam na contra-mão, porém sempre foram certeiras e atingiram o alvo.

Intelectual e Social

            Peter Drucker nasceu no início do século XX em Viana, no ano de 1909 e morreu em novembro de 2005, nos Estados Unidos. Filho de pai advogado, tido como o principal servidor civil do Ministério da Economia do Império Austro-Húngaro e mão que havia estudado medicina, algo incomum na época, cresceu em meio intelectual, cuja família conhecia Freud e tantos outros célebres vienenses. Este fato, com certeza, desempenhou importante papel na sua formação.

            Após terminar o ginásio em Viena, Peter Drucker foi trabalhar em uma exportadora em Hamburgo, onde também estudou direito, mais para agradas aos pais. Nesta época já lia em três línguas e também foi nesta época que escreveu seu primeiro artigo. Mudou-se logo após para Frankfurt, onde foi trabalhar numa firma com sede em Wall Sreet, como analista estagiário. Continuou com seus estudos em direito e aprofundou-se em estatística. Era profética a sua habilidade em lidar com indicadores numéricos. O que lhe levou a observações acuradas sobre mundo da atualidade e do futuro.

            Tornou-se jornalista financeiro no maior jornal de Frankfurt após a falência de seu empregador na crise de 1929 e teve rápida ascensão. Ao mesmo tempo, fez seu doutorado e conheceu Doris Schmitz, uma tecnóloga bem-sucedida e que mais tarde seria sua esposa. Porém, a sociedade alemã se desintegrava e a vitória do nazismo foi o estímulo para o seu primeiro livro, que se intitulava “The End of Economic Man: The Origins of Totalitarianism”. Detalhe: o livro foi publicado após 1933, quando Drucker já havia deixado a Alemanha, que estava sob o poder de Hitler.

            Este livro definiu um dos principiais pilares de sua filosofia. Apesar de lidar com negócios, ele era um pensador humanitário e seu jeito de ver a administração e a economia tinham aspectos de história política e social. Ele não via apenas o seu fim. Seu modo de pensar administrativo foi condicionado por um profundo conhecimento das tendências do século XX.

            No período em que passou em Londres trabalhou como analista de seguros e trabalhou em um pequeno banco mercantil. Publicou artigos para revistas americanas e desiludiu-se com economia após ouvir as teorias de John Keines. Em 1937 casou-se com Doris e emigrou para os EUA patrocinado por jornais financeiros de Londres. Lá, viveu e trabalhou como jornalista, escritor, consultor, palestrante e professor de administração e arte oriental. Ele se considerava um escritor. Nunca se considerou um empreendedor, pois dizia não ter talento para isso.

            E, como escritor, formou novos modelos de argumentos ao publicar diversos artigos durante toda a sua carreira. Contribuiu com diversas publicações, entre elas o Wall Street Journal e a Harvard Business Review. Esta última, em 1999, publicou, sob o título “Administrando a si mesmo”, trechos do livro de Drucker “Desafios Gerenciais para o Século XXI”. Este texto é bem marcante, pois sua clara mensagem é o modo como ele consegue surpreender os leitores ao dizer: “Há um pré-requisito para administrar a segunda metade de sua vida: comece a fazê-lo muito antes de entrar nela”.

            O que parece ele mesmo ter feito, pois a cada um ou dois anos, se propunha a estudar um novo assunto. E dominá-lo. Lia muitos livros e revistas e sua memória era inesgotável. Era capaz de lembrar com precisão o conteúdo de todas as suas palestras. E isso sem nem mesmo uma anotação. Em suas palestras, sempre segurava um relógio, ao qual não olhava, mas as encerrava no momento preciso.

            Durante a Segunda Guerra, trabalhou meio período para a Comissão de Bem-Estar Econômico e publicou seu segundo livro em 1942, cujo título é “The Future of Industrial Man”. Este livro foi impactante e um ano após, ele foi convidado pelo vice-presidente da General Motors para fazer um estudo sobre a empresa, que na época era mais corporação industrial mundial.

            O resultado deste estudo foi publicado no livro chamado “Concept of the Corporation” em 1946. Este é o único estudo corporativo que resiste até hoje e foi basilar para o incremento do conhecimento de Drucker em administração. Ele foi capaz de combinar suas próprias idéias sociais com observações práticas do que realmente acontece dentro de uma empresa.

            Porém, apesar deste sucesso, ele passou um tempo sem escrever, até 1950, ano da primeira edição de “The New Society”, que integra mais dois estudos sociais e políticos.

            Mas, após seu estudo na GM, foi consolidando o seu pensamento em estudar a administração como disciplina autônoma e culminou na publicação de “Práticas de Administração de Empresas”, em 1954, que foi fundamentado em seu ensino de administração na New York University, seu trabalho como consultor de empresas e sua experiência na GM. Este livro foi concebido inicialmente para ser um guia voltado para executivos.

            Seus livros eram tanto voltados para a prática, como “The Effective Executive”, como mais abrangentes, como seu último livro “A Administração na Próxima Sociedade”, publicado em 2002.

            Peter Drucker tinha um estilo de vida simples. Não possuía secretária e suas cartas eram datilografadas por ele mesmo. Suas viagens pelo mundo sempre incluíam turismo cultural. Costumava fazer viagens anuais pela Europa e Japão. Foi um dos primeiros ocidentais a observar e identificar a chamada “invasão japonesa”, tanto na concorrência como na maneira de administrar.

            Em seus últimos anos, optava mais por ficar em sua casa nos arredores de Los Angeles. Utilizava-se da tecnologia quando era convidado para alguma conferência e sempre aparecia nelas, via satélite.

            Apesar de sua audição ter ficado muito ruim com o avançar da idade, continuo brilhante no seu entendimento e interpretação do mundo. Até morrer, continuou sendo o mestre da arte que ele inventou. E, ainda o é.

A Arte de Administrar

            A partir do estudo sobre a GM ganhou impulso a reputação de Peter Drucker como “guru da administração”. A empresa não era a melhor fonte para generalizações, pois era muita específica, gerenciada por Alfred P. Sloan, que vivia para a empresa. O que a tornava a muito parecida com ele próprio. E Drucker não era dos que acreditavam que a história é feita por grandes homens. Ele acreditava que os movimentos históricos carregavam os homens, grandes ou pequenos. Mas pode-se creditar a este estudo muito do que Peter Drucker aprendeu.

            Uma das coisas foi a descentralização. E, mais do que achar que era uma técnica administrativa, objetou que é uma “ordem social”. Mas, na GM, essa descentralização era apenas operacional, pois quem decidia sobre os preços, custo da mão-de-obra, capital empregado e outros aspectos financeiros era uma pequeníssima parte dos gestores. Algo como uns 5% apenas. Ou seja, tinha um equilíbrio voltado para o centro.

            Apesar de ver o lucro como “a base de toda atividade econômica”, Drucker estava preocupado com a “corporação como um esforço humano”. Ele acreditava que a corporação devia ser uma criação voltada para o bem, ao “carregar o fardo de todos os sonhos” do homem. Ou seja, dentro delas existem homens que possuem sonhos e isso faz com que as corporações sejam de algum modo, responsáveis por esses sonhos.

Teoria do Negócio

            Segundo Peter Drucker, toda organização tem uma “teoria do negócio”.  Esta teoria resume as “premissas sobre as quais a empresa foi construída e está sendo administrada”.

            Ele explicava que "uma teoria de negócio tem três partes: primeiro existem hipóteses a respeito do ambiente da organização: da sociedade e sua estrutura, o mercado, e o cliente e a tecnologia. Segundo, há hipóteses a respeito da missão específica da organização. Terceiro, existem hipóteses a respeito das competências essenciais necessárias à realização da missão da organização".

            Ainda segundo ele, “a hipótese a respeito do ambiente define aquilo que uma organização é paga para fazer. Aquelas a respeito da missão definem o que uma organização considera resultados significativos; em outras palavras, elas mostram como ela está fazendo uma diferença na economia e na sociedade em geral. Finalmente, as hipóteses a respeito de competências essenciais definem em que a organização precisa se superar para manter a liderança”.

            Mas, o que valida esta teoria? Drucker estabeleceu quatro condições:

·         As hipóteses a respeito do ambiente, da missão e das competências essenciais devem se ajustar à realidade.

·         As hipóteses nas três áreas precisam encaixar e se necessário desenvolver novas competências.

·         A teoria do negócio tem que ser conhecida e compreendida em toda a organização. Isto torna-se fácil nos primeiros dias de uma organização. Mas, à medida que faz sucesso, a organização tendencia a dar sua teoria como certa, e se torna cada vez menos consciente dela. Então a organização fica descuidada e começa a pegar atalhos, a seguir que é conveniente no momento e não o que é certo. A organização para de pensar e de questionar, lembra das respostas, mas esquece das perguntas. A teoria do negócio se transforma em "cultura". Esta não substitui a disciplina e a teoria do negócio é uma disciplina.

·         A teoria do negócio necessita constantemente ser testada. Ela não deve ser estática. É uma hipótese a respeito de coisas que estão em fluxo constante (a sociedade, os mercados, os clientes, a tecnologia).


            Algumas teorias de negócio são tão poderosas que duram por muito tempo. Com o passar do tempo, ela se torna obsoleta e sem valor.  Drucker dizia que quando a teoria mostra os primeiros sinais de obsolescência, está na hora de começar a pensar novamente, de perguntar novamente quais as hipóteses a respeito do ambiente, da missão e das competências básicas que refletem com maior precisão a realidade – a partir da clara premissa de que as hipóteses a respeito historicamente transmitidas, aquelas com as quais crescemos, não são mais suficientes.

            Se qualquer uma dessas premissas ou todas elas, tornar-se falsa, a teoria dos negócios cairá por terra. Como evitar então, que isso aconteça? “Só existem duas medidas preventivas”, garantia Drucker. À primeira ele chamava de “abandono”. No caso: “A cada três anos, uma organização deveria questionar cada produto, cada serviço, cada política, cada canal de distribuição com a pergunta: ‘Se nós já não estivéssemos fazendo isso, estaríamos começando a fazê-lo agora? ’”

            A segunda medida preventiva “é estudar o que acontece fora do negócio, e principalmente estudar os não-consumidores”. Ele dizia que, apesar de se dever saber o máximo sobre seus consumidores, os primeiros sinais de alguma mudança quase nunca acontecem dentro das organizações e nem nos seus consumidores. Quem não está consumindo da organização, normalmente são quem revelam estes sinais. E, ele enfatizava também que “a teoria do negócio sempre se torna obsoleta quando uma organização alcança seus objetivos originais”.

            Outro dado importantíssimo é o crescimento muito rápido. Uma organização que cresce muito, duplique ou triplique seu tamanho em pouco tempo, está grande demais para a sua teoria. Para que este crescimento continue esta organização precisa fazer a si mesma as perguntas sobre o ambiente em que está inserida, sua missão e suas competências principais.

A prática da arte

            Peter Drucker era um humanista que apoiava os clássicos valores liberais da elite intelectual da Europa. Por isto, para ele, a administração era “uma arte liberal”, ao contrário de ser uma ciência. O que não deixa de ser um contradição, pois diversos autores da chamada “administração científica” estavam seguindo suas pegadas. Mas, como não fazê-lo?


            Drucker observou que não existia quase nenhuma publicação sobre administração, diferentemente de livros sobre vendas, publicidade, produção e etc. E ficava imaginando que as pessoas que trabalham com negócios não sabiam o que a administração faz ou pode fazer pelo sucesso de seu empreendimento. Ele então, se propôs a preencher esse vazio com a combinação de conselhos práticos aliados à teoria.

            Sua abordagem do assunto criou polêmicas dentro do meio acadêmico, pois a administração procurava a “respeitabilidade acadêmica”, por ser “desprezada” pelas demais ciências e por isso procuram se ater a fatos estritamente científicos e rigorosos. E, para Peter Drucker, a administração “é uma disciplina que integra valores e comportamentos humanos, ordem social e investigação intelectual”. Ou seja, para ele, é uma arte que “se alimenta de economia, psicologia, matemática, teoria política, história e filosofia”.

            Poucos executivos dariam tanto valor à administração quanto Drucker dava. Eles pensam a administração apenas como administração de negócios e Drucker achava que isso era restrito demais.

            Para ele a “administração é o órgão específico e diferenciado de toda e qualquer organização”. Este órgão teria então, três funções: administrar o negócio, administrar o administradores e administrar os trabalhadores e o trabalho.

            Porém, mais tarde, ele contra-argumentou que não se administram pessoas. O certo é liderar pessoas e o “objetivo é tornar produtivo as forças e o conhecimento específicos de cada indivíduo”.

            Tal qual um “órgão da sociedade”, o negócio tem um propósito fundamental que está fora de si mesmo. Que, segundo ele, é o de criar um consumidor. Esta teoria teve uma enorme influência no ensino e na prática da administração e culminou na busca atual pelo “foco no cliente” e no ideal contemporâneo da organização que está no consumidor, organizada e implementada para a sua satisfação.

            Percebe-se claramente que em toda a obra de Peter Drucker o consumidor está presente. Para ele “as bases da empresa têm que ser os valores dos consumidores e suas decisões”. Como conseqüência disso, o consumidor deve ser o ponto de partida para a real prática da administração.

            No ano de 1973, Drucker escreveu seu livro “Management: Tasks, Responsabilities, Practices”, que virou um best seller . Esta obra reúne três décadas de teoria e observação práticas, que começaram na General Motors. Neste livro ele identifica cinco funções básicas do administrador.

1. Um administrador define objetivos e determina quais são esses objetivos.

2. Um administrador organiza. Analisa as atividades, decisões e relações necessárias.

3. Um administrador motiva e comunica. Ele forma uma equipe com as pessoas que são responsáveis pelas diversas tarefas.

4. Um administrador faz a medição ao estabelecer parâmetros. Ele garante que cada pessoa tenha acesso a medidas que tratem do desempenho da organização como um todo e ao mesmo tempo, do seu trabalho como indivíduo.

5. Um administrador desenvolve pessoas, inclusive a si mesmo.

O Futuro Identificado

            Desde a década de 1980, ou talvez antes, Peter Drucker olhava para além da virada do milênio. Em 1986, argumentou que o novo milênio já tinha chagado e enfatizou que não tinha escrito nada sobre o século XXI. Então, em 1999, lançou o livro “Desafios gerenciais para o Século 21”. Na verdade, esta obra significou o equilíbrio entre as antevisões de Drucker sobre as verdades eternas e sua precisa análise sobre as forças “mutantes” na administração.

            Já dizia ele que forças inevitáveis iriam transformar o futuro. Não era possível fazer uma previsão concisa, mas poder-se-ia, com base em eventos ocorridos, identificar seus efeitos nos próximos anos.

            A demografia fazia parte de um desses eventos. “O mundo desenvolvido está cometendo um suicídio coletivo. Seus cidadãos não estão tendo filhos suficientes.” Duas conclusões podem ser tiradas deste pensamento sobre “despovoamento”:

1. A idade de aposentadoria aumentará (Drucker calculou que ela chegaria a 75 anos antes de 2010).

2. O crescimento econômico só poderá vir de um aumento preciso e contínuo na produtividade do trabalho e dos trabalhadores do conhecimento.

            Drucker garantia também, que “o recurso real/controlador e o fator de produção decisivo não é o capital, a terra e nem a mão-de-obra. Agora é o conhecimento”.

            Ele viu esse período como uma “época de fazer futuro, porque tudo está fluindo. E esse é o momento de agir”. E apontava as direções. Os fundos de pensões, por exemplo, “devem garantir que o negócio está bem administrado”. Previa também, que a auditoria da empresa deve avaliar o desempenho dos executivos e da empresa na comparação com o plano estratégico e os objetivos específicos.

            Além e tudo isso, Peter Drucker ainda achava que a comunidade deve ter comprometimento. Assim como escola, que precisa se comprometer com resultados. Esta seria uma das grandes mudanças que ele achava que estavam por vir. A sociedade do conhecimento demandando as mudanças que as novas teorias e tecnologias de aprendizagem irão desencadear.

            Não se pode ignorar que seu tom era esperançoso. Ao querer ver uma sociedade com maiores valores, bem sintonizada com as necessidades do conhecimento. “Nós não temos uma teoria econômica sobre produtividade do investimento em conhecimento e talvez nunca tenhamos. (...) sabemos acima de tudo, que tornar o conhecimento produtivo é uma responsabilidade da administração”, diz ele. E continua: “É preciso uma aplicação sistemática e organizada do conhecimento no conhecimento”. E este papel cabe ao administrador.
Comentários de Peter Drucker sobre Liderança

ü  “Líderes bem sucedidos não perguntam "O que quero fazer?”Eles perguntam: "O que precisa ser feito?”E, então, perguntam: "De todas as coisas que realmente fazem a diferença, o que, concretamente, eu sou capaz de fazer?"Eles não se metem a fazer coisas que não sabem ou nas quais não são bons. Certificam-se das necessidades e das coisas a serem feitas, mas não por eles. Eles não têm medo da superioridade alheia. Andrew Carnegie queria ter como epitáfio em seu túmulo a seguinte frase: "Aqui jaz um homem que era capaz de atrair pessoas melhores que ele próprio para trabalhar".”
           
ü  “Um dos homens mais capazes com quem trabalhei, há muitos anos atrás, foi um chanceler democrático da Alemanha pré-II Guerra Mundial, Heinrich Brüning. Ele teve uma habilidade incrível de ver o coração do problema da Alemanha na época. Mas era muito fraco em finanças. Ele deveria ter delegado aquelas tarefas para quem fosse competente em finanças, mas desperdiçou horas infinitas em orçamentos e executou-os mal. Esta foi uma falha terrível, especialmente num período de depressão econômica e essa falha ajudou a ascensão de Adolf Hitler. Nunca tente ser um perito se você não é. Reforce seus pontos fortes e encontre alguém competente para fazer as outras coisas que forem necessárias.”


ü  “Novamente vamos começar por discutir o que não deve ser feito. Não pretenda ser o que você não é ou alguém que não seja você mesmo. Se você chegou até aqui é porque tem um estilo próprio de ser. É com o seu estilo que você tem que conseguir que as coisas sejam feitas. Não se meta em coisas que você não acredita e não queira fazer coisas que você não entende ou não seja competente para fazer. Aprenda dizer "não". Os líderes eficazes mesclam as necessidades objetivas de sua companhia com as competências subjetivas que têm à sua disposição. Por isso é que eles conseguem fazer rapidamente um número muito grande de coisas bem feitas.”

A Obra de Peter Drucker

    Reminiscências: de Viena ao Novo Mundo

Este livro espirituoso de Drucker reflete sua vitalidade, curiosidade e interesse pelas pessoas, por suas idéias e motivações que determinam seu comportamento. Histórias saborosas e reais, envolvendo personalidades como Sigmund Freud, John Maynard Keynes, Alfred Sloan, Marshall McLuhan e muitos outros.
    Fator Humano e Desempenho: o Melhor de Peter Drucker

O autor analisa o que administração: suas origens e desenvolvimento, tarefas, funções e dimensões; o que e um administrador; enfoca as pessoas e suas necessidades no trabalho; e finalmente, considera a administração e a organização.

    Administração em Tempos Turbulentos

O autor se interessa por ações, estratégias e oportunidades. Assim, começa pela gerência dos fatores básicos: inflação e liquidez, produtividade e custos de se manter em atividade - chamados erroneamente de lucros.

    Administrando para o Futuro: os Anos 90 e a Virada do Século

Neste livro, Drucker enfoca a administração do hoje e antecipa o amanhã. Cada capítulo objetiva levar à compreensão das mudanças que nos esperam e seu significado para a economia, as pessoas, os mercados, a gerência e a organização.

    As Novas Realidades

Um exame das tendências das próximas décadas e das dúvidas e oportunidades que se apresentam. Drucker analisa as novas funções do governo e as novas exigências feitas à liderança política. Discute a economia e a ecologia transnacionais, os paradoxos do desenvolvimento econômico, a sociedade pós-empresarial, as organizações baseadas na informação, além de descrever um novo universo perceptivo e não mais analítico.

    50 Casos Reais de Administração

Os casos apresentados são típicos de situações e problemas normalmente enfrentados por todos os administradores. Um livro prático e objetivo para estudantes que desejam refletir desde já sobre questões que irão aparecer em seu futuro profissional.

    A Revolução Invisível

Drucker mostra como a parcela da economia americana de propriedade dos trabalhadores vem crescendo; em breve, os fundos de pensão possuirão a maioria do capital das empresas americanas. A seguir, analisa essa mudança, as implicações e os problemas desse "socialismo de fundo de pensão" com relação à estrutura e às diretrizes econômicas, inflação, formação de capital, empregos, aposentadoria e seguridade social.

    As Cinco Perguntas Essenciais Que Você Deve Fazer Sobre Sua Empresa

Com as 5 perguntas essenciais de Peter Drucker e a ajuda de 5 líderes da atualidade, esse livro desafiará os leitores a prestarem atenção no coração de suas empresas e naquilo que as fazem crescer. A obra serve de ferramenta para a autodeterminação e transformação.

    Daily Drucker (O diário de Drucker)

Estas 366 páginas diárias foram colhidas a partir da vida de Drucker no trabalho. Na parte inferior de cada página, o leitor encontrará uma ação pronta. Enuncia exatamente como pôr em prática as idéias de Drucker. É como se o mais sábio e consultor de gestão no mundo estivesse no seu quarto, oferecendo seu aconselhamento. The Daily Drucker é para quem pretende compreender e usar as palavras do poderoso Peter Drucker.

    O Gerente Eficaz em Ação - Uma Agenda para Fazer as Coisas Certas...

PETER DRUCKER & JOSEPH A. MACIARIELLO  

As palavras-chave deste livro são "eficaz" e "ação". Não faltam gerentes bem instruídos; gerentes eficazes, porém, são coisa rara de se encontrar. Mas gerentes não têm sido pagos por aquilo que sabem. Eles têm sido pagos por fazer as coisas certas acontecerem. Este livro é sobre "o que fazer" e "como fazer".

Referências:

DRUCKER, Peter. Administrando para o Futuro: os Anos 90 e a Virada do Século. São Paulo: Cengage Learning, 2003.

DRUCKER, Peter. Administrando em tempos de grandes mudanças. São Paulo: Cengage Learning, 1995.
Revista Exame Edição 682 –24/02/99 – Artigo publicado inicialmente pela Revista Forbes 05/10/98

Revista Exame – Artigo “A Administração essa desconhecida" – Peter Drucker Outubro/88







quinta-feira, 23 de abril de 2015

CLIMA ORGANIZACIONAL


Entende-se por clima organizacional a qualidade ou propriedade do ambiente empresarial que é percebida e experimentada pelos membros da organização e que tem influência em seu comportamento.

Em um cenário caracterizado pela globalização, competitividade e qualidade, um dos desafios mais importantes a ser buscado pelos gestores da administração é a investigação do clima organizacional.

A organização é composta por agrupamento humano, metas, tecnologia, insumos e metas individuais, onde cada indivíduo desempenha um papel definido, segundo suas características pessoais, e todos, de forma coerente e sistemática, visam a um objetivo comum.

Sendo as pessoas dotadas de personalidade única e inalienável, onde cada um apresenta uma capacidade de ajustamento de comportamento dos diversos tipos de ambiente como trabalho, casa, igreja, escola ou em qualquer outro lugar em que está inserindo socialmente, a história de vida de cada uma compõe sua personalidade, da qual fazem parte diversos traços, o que vem a intervir no meio em que se encontra.

Ao administrador cabe a tarefa de identificar e intervir, de maneira a canalizar estes traços para a obtenção de resultados satisfatórios dentro da organização. E, para tanto, é preciso uma análise de fatores importantes, tais como, o clima organizacional que pode ser visto como o "termômetro" da empresa, pois mostra como a organização se encontra, podendo prever se a meta vai ou não ser atingida.


2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

 

Intuitivamente, a maioria das pessoas, entende que o clima de um ambiente de trabalho tem um impacto em como as pessoas se sentem e como são suas performances. Usando o termo clima, nos referimos à atmosfera coletiva do ambiente de trabalho: as atitudes, percepções e dinâmicas que afetam em como as pessoas se comportam diariamente. Clima, assim como o tempo o tempo metereológico, não é estático e sem mudanças. Contudo, em qualquer lugar, o clima é único em cada organização. Mais importante, diferentemente do tempo metereológico, nós estamos envolvidos em criar nosso clima organizacional diariamente.

Falar em clima organizacional é fazer uma abordagem do que se chama de ambiente organizacional ou ambiente de trabalho.

Para Dejours (1985), o ambiente de trabalho é o palco onde o indivíduo coloca as suas projeções, os seus desejos e desempenha seu papel. È através do trabalho que o homem participa das relações sociais e transfere os seus anseios infantis e a sua história afetiva.

É importante compreender e aceitar que a cultura organizacional existe e é um importante instrumento para tentar explicar ou predizer o comportamento das organizações e de seus membros. Ela atua profundamente sobre as percepções e os procedimentos no ambiente empresarial.

Muitas organizações possuem problemas de clima decorrentes diretamente da cultura organizacional. Nestes casos, algumas medidas podem gerar mudanças no clima, porém, para que o problema seja definitivamente resolvido, é necessário que mudanças culturais sejam feitas.

O clima organizacional é a expressão ou manifestação da própria cultura. O clima tem uma natureza mais transitória, podendo aceitar intervenções de curto prazo; a cultura envolve mudanças organizacionais mais profundas e normalmente de longo prazo. O clima é mais facilmente manipulável do que a cultura.Algumas mudanças organizacionais podem ter reflexo imediato no clima.

Para Cavedon (1988), se os trabalhadores forem aceitos como agentes da organização, portadores de uma personalidade madura e lhes for permitido expressar suas necessidades, bem como concretizá-las, o seu ambiente será sadio, predisposto ao crescimento, tanto organizacional quanto pessoal.

Litwin e Stringer (1988) abordaram o conceito de clima organizacional, interpretando-o como: “... um conjunto de propriedades mensuráveis do ambiente de trabalho, percebidas direta ou indiretamente, pelos indivíduos que vivem e trabalham neste ambiente e que influencia a motivação e o comportamento dessas pessoas".

Em estudos realizados com padres da diocese católica romana, Schneider e Hall (1972) utilizam o conceito de clima organizacional como:


“... uma percepção generalizada que o indivíduo forma da organização, e que é resultante de experiências vivenciadas por eles neste ambiente..."
 
 






Posteriormente Schneider, em trabalho desenvolvido em co-autoria com Snyder (1975), acrescenta que, ao formar as percepções do clima, o indivíduo age como um processador de informações utilizando dados:

a)    dos acontecimentos objetivos e características da organização;

b)    das características do perceptor (isto é, seus valores, necessidades).

Assim, cada indivíduo percebe ou conceitua sua organização de várias maneiras, dependendo do contexto ou conjunto de informações sobre as organizações que são operativas para ele. Ele pode perceber o clima orientando para o trabalho, bem como orientando para inovações, por exemplo.

Segundo Chiavenato (1988), o conceito de clima organizacional envolve uma visão mais ampla e flexível da influência ambiental sobre a motivação. É a qualidade ou propriedade do ambiente organizacional que é percebida ou experimentada pelos membros da organização e influenciada no seu comportamento. Refere-se ao ambiente interno existente entre as pessoas que convivem no meio organizacional e esta relacionada com o grau de motivação de seus participantes.

3. O CLIMA ORGANIZACIONAL

 

3.1 O Clima Dentro das Organizações


O Clima organizacional também pode ser descrito como a percepção coletiva que os empregados têm da empresa, através da experimentação prática prolongada de suas políticas, estrutura, sistemas, processos e valores, os diagnósticos de atitudes dos funcionários, processos de sensibilização e gestão contínua de clima e cultura que visam facilitar a produtividade, qualidade total e vitalidade empresarial. Sobre uma série de fatores-chave de sucesso empresarial, este trabalho apresenta uma visão mais clara e mensurável quanto à motivação, o grau de confiança que seus colaboradores depositam na empresa ou mesmo suas opiniões sobre planejamento e desenvolvimento. A palavra clima origina-se do grego Klima e significa tendência, inclinação.

O clima organizacional decorre basicamente do estado motivacional de cada pessoa, que por sua vez é influenciada pelo clima existente no ambiente e influencia novamente o ambiente coletivo, criando uma retroalimentação e reforçando cada vez mais os elos deste processo. Esta atitude mental resulta em comportamentos, sendo nesse sentido, um indicador de maior ou menor satisfação experimentada pelos empregados no trabalho.
O clima é "construído" ao longo de um período significativo de tempo e, portanto, alterações são também de longa duração. Para mudar o clima é preciso mudar a percepção coletiva e para isto é preciso mudar a percepção individual.

Clima Organizacional passa a ser, portanto, sinônimo de grau de satisfação, motivação, moral. Este estado psicológico coletivo tem origem basicamente em dois grupos de influência (Herzberg, 19.):

·         Fatores que predominantemente causam desconforto

·         Fatores que predominantemente causam conforto

O estudo do clima organizacional já vem se desenvolvendo nos Estados Unidos há cerca de 30 anos, sendo a gestão de clima uma estratégia de responsabilidade da alta administração. Os dados levantados por ocasião das pesquisas funcionam como direcionadores de ações para melhoria dos resultados.

No Brasil, a prática da gestão de clima nas empresas é recente, tendo se iniciado na década de 90. Os resultados de estudos de pesquisas de clima revelam que os aspectos geralmente percebidos como favoráveis e, portanto, geradores de satisfação, são fatores relativos à natureza do trabalho executado, à identificação com a organização, ao relacionamento com colegas, a realização profissional e à qualidade e produtividade. Por outro lado, como geradores de insatisfação aparecem: a remuneração, a comunicação interna, o desenvolvimento profissional, a justiça de tratamento e o estilo da liderança.

Torna-se necessário também fazer uma avaliação de caráter macro, isto é, da organização no seu conjunto. Existem técnicas destinadas a avaliar, de forma global, o estado de espírito da organização (uma delas é a análise do clima).

3.2 A Pesquisa do Clima Organizacional


A análise do clima foi feita por Litwin e Stinger (1968) e tem, por objetivo, determinar o clima organizacional através da medição do grau de motivação dos membros da mesma organização, ou seja, analisa-se o "estado de saúde" da organização com o diagnóstico fornecido pela análise de clima, para saber onde é necessário existirem mudanças.

Para se ter este diagnóstico, é preciso recorrer a um conjunto de técnicas de inquérito. Litwin e Stinger propuseram um questionário que visa medir as seguintes dimensões de clima: 

1.    Estrutura da organização – é o sentimento dos elementos da organização sobre as restrições da sua situação, regulamentos, regras e formas administrativas.

2.    Responsabilidade – é o sentimento de ser o seu próprio patrão e de não ter dependências quando desempenha as suas funções.

3.    Recompensa – é o sentimento de ser recompensado por um trabalho bem feito; ênfase em incentivos positivos e não em punições; sentimento sobre a justiça da política de promoção e remuneração.

4.    Risco - é o sentimento de risco na tomada de decisões e no desempenho das suas funções.

5.    Calor e apoio – sentimento de camaradagem no grupo.
6.    Suporte – é a percepção de suporte vindo de cima (gestores) e de baixo (subordinados)

7.    Standard – é o grau de importância dada aos objetivos e Standard de performance.

8.    Conflito – é o sentimento de pertença a uma dada organização, uma vez definida as dimensões que se julgam indispensáveis para medir o clima, é necessário organizar um questionário a fazer aos elementos da organização.

A Pesquisa de Clima Organizacional visa em um primeiro momento, proporcionar a análise da organização com o seu ambiente, bem como o conjunto de condições que caracterizam o estado de satisfação e/ou insatisfação dos colaboradores (empregados) na empresa e das demais pessoas que com eles interagem.

Esta pesquisa é uma valiosa ferramenta de Gestão Estratégica, pois além de permitir a análise interna e externa, também acompanha o estado de satisfação e comprometimento dos colaboradores com a organização, proporcionando, através de estratégias e ações, o crescimento e desenvolvimento das pessoas e a máxima produtividade e qualidade, visando a consecução e a superação dos resultados pré-estabelecidos pela Direção.

Neste contexto, o clima organizacional busca retratar o estado de satisfação dos colaboradores em relação a diversos itens, dentre os quais podemos mencionar: ao seu trabalho, a empresa; a ele mesmo; aos colegas de trabalho, às condições de trabalho; à sua chefia/gerência, etc, bem como visualizar e identificar o grau de alinhamento entre a cultura definida pela organização e as ações realizadas no dia-a-dia.

Dentre as principais contribuições da Pesquisa de Clima Organizacional, podemos destacar:
·         Buscar o alinhamento da cultura com as ações efetivas da empresa

·         Promover o crescimento e desenvolvimento dos colaboradores

·         Integrar os diversos processos e áreas funcionais

·         Otimizar a comunicação

·         Minimizar a burocracia

·         Identificar necessidades de treinamento, desenvolvimento pessoal/gerencial e de educação empresarial

·         Enfocar o cliente interno e externo

·         Otimizar as ações gerenciais, tornando-as mais consistentes

·         Organizar, flexibilizar e agilizar as atividades da organização, dentre outras

·         É oportuno ressaltar que a demanda para a realização da Pesquisa de Clima Organizacional decorre, principalmente, do desenvolvimento do Planejamento Estratégico Empresarial

O objetivo principal da Pesquisa de Clima Organizacional para qualquer empresa é maximizar, cada vez mais, suas relações com os colaboradores oferecendo condições de trabalho adequadas, proporcionando oportunidades de desenvolvimento e estabelecendo um ótimo ambiente de trabalho, o que proporcionará o alcance e a superação dos objetivos definidos pela gerência da empresa.

3.3 A Pessoa: Os Motivos são os "Porquês" do Comportamento


O nível de produtividade parece depender de três forças básicas que atuam dentro do indivíduo:

1.    Objetivos pessoais do indivíduo: os objetivos individuais podem incluir mais dinheiro, segurança no cargo, aceitação social, reconhecimento e trabalho interessante. Existem outras combinações de objetivos que uma pessoa pode procurar satisfazer simultaneamente.

2.    Relação percebida entre satisfação dos objetivos e alta produtividade. Se um operário tem como importante objetivo ter salário maior e se trabalha na base de remuneração por produção, poderá ter uma forte motivação para produzir mais. Porém se sua necessidade de aceitação social pelos outros membros do grupo é mais importante, poderá produzir abaixo do nível que consagrou como padrão de produção informal. Produzir mais poderá significar a rejeição do grupo.

3.    Percepção de sua capacidade de influenciar sua produtividade. Se um empregado acredita que um grande volume de esforço despendido tem pouco efeito sobre o resultado, tenderá anão se esforçar muito, como é o caso de uma pessoa colocada em cargo sem treinamento adequado ou do operário colocado em linha de montagem de velocidade fixa.

Estes três fatores determinam, portanto, a motivação do indivíduo para produzir em um dado tempo. Em sendo assim, os motivos representam algo, dentro de um indivíduo, que leva à ação. Já os objetivos que estão fora do indivíduo são, às vezes, indicados como prêmios "esperados", para os quais os motivos se dirigem. Tais objetivos são freqüentemente denominados incentivos pelos psicólogos.

3.4 Programas de Clima Organizacional


Os trabalhos envolvendo clima organizacional destinam-se a identificar quais são os fatores que afetam, negativamente e positivamente, a motivação das pessoas e integram a empresa, assim o clima organizacional é favorável quando proporciona satisfação das necessidades pessoais dos participantes e elevação do moral, e desfavorável quando proporciona a frustração daquelas necessidades. O clima organizacional, no contexto das empresas, influencia o estado motivacional das pessoas e é por ele influenciado. Diversos autores acreditam que a análise do clima organizacional, ou das atmosferas psicológicas da organização, é particularmente útil para identificar os fatores que exercem influencia constatável e concreta sobre o comportamento do indivíduo e de grupos na organização.

Podem ser desenvolvidas pesquisas com público interno da empresa, com o intuito de avaliar o perfil sócio-econômico dos empregados, a motivação, a satisfação e a integração com a empresa. Este tipo de avaliação é útil, na contribuição para melhoria no clima organizacional que é fundamental para a empresa obter um adequado nível de competitividade e qualidade total. Nesse sentido, e com base nos critérios do Prêmio Nacional de Qualidade, sugere-se que o planejamento da pesquisa abranja questões inerentes a clima organizacional, que, direta ou indiretamente, possam relacionar-se a determinados fatores adequados ao autodiagnóstico da empresa, em termos de:

1 - Liderança: liderança da alta direção, valores da empresa quanto a qualidade, gestão para qualidade, responsabilidade comunitária, Informação em análise: abrangência e gestão dos dados e das informações sobre qualidade planejamento estratégico para a qualidade: metas e planos para a qualidade utilização dos recursos humanos: gestão dos recursos humanos; envolvimento, educação, e treinamento dos funcionários, reconhecimento , medição e bem estar dos mesmos Garantia da qualidade de produtos e serviços: projeto de introdução no mercado de produtos e serviços; controle da qualidade de processo com melhoria continua e avaliações de qualidade periódicas inclusive dos fornecedores.

2 - Resultados obtidos quanto a qualidade de produto e serviços: no processo do negócio, operações e serviços de apoio.

3 - Satisfação do cliente: resultado relativos a satisfação dos clientes.

Este tipo de pesquisa, observa uma abordagem qualitativa implementada através de entrevista em profundidade com pessoas de diferentes níveis hierárquicos.

Já Atkinson desenvolveu um modelo para estudar o comportamento motivacional que leva em conta os determinantes ambientais da motivação, modelo este baseado nas seguintes premissas:

1 – Todos os indivíduos têm certos motivos ou necessidades básicas, que representam comportamentos potenciais e que precisam ser provocados para influenciar o comportamento.

2 – A provocação ou não desses motivos depende da situação ou do ambiente percebido pelo indivíduo.

3 – As propriedades particulares no ambiente servem para estimular ou provocar certos motivos. Em outras palavras, um motivo especifico não influenciará o comportamento até que seja provocado por uma influencia ambiental apropriada.

4 – Mudanças no ambiente percebido resultarão em mudanças no padrão da motivação provocada.

5 – Cada espécie de motivação é dirigida para a satisfação de uma diferente espécie de necessidade. O padrão da motivação provocada determina o comportamento, e uma mudança nesse padrão resultará um uma mudança de comportamento.

Neste modelo existem dois determinantes situacionais ou ambientais da motivação: a expectância e o valor de incentivos. Expectância refere-se à probabilidade subjetiva ou plausibilidade de satisfação da necessidade (ou sua frustração). O valor de incentivos é a quantidade de satisfação ou frustração da pessoa ligada ao resultado da seqüência do comportamento. Estas variáveis são particularizadas e moleculares, pois, na vida real, são geradas centenas de expectâncias e de valores de incentivos.

O clima organizacional depende de seis dimensões:

1 – Estrutura da organização: que afeta o sentimento das pessoas sobre as restrições em sua situação de trabalho, como regras excessivas, regulamentos e procedimentos, autoridade hierárquica, disciplina etc.

2 – Responsabilidade: que produz o sentimento de ser seu próprio chefe e de não haver dependência nem dupla verificação em suas decisões.

3 – Riscos: que levam a iniciativa e ao senso de arriscar e de enfrentar desafios no cargo e na situação de trabalho.

4 – Recompensas: conduzem ao sentimento de ser recompensado por um trabalho bem feito; são as substituições do criticismo e das punições pela recompensas.

5 – Calor e apoio: o sentimento de boa camaradagem geral e de ajuda mutua que prevalece na organização.

6 – Conflito: o sentimento de que a administração não teme diferentes opiniões ou conflitos. É a colocação das diferenças no aqui e no agora.

3.5 Cultura Organizacional


O tema da cultura organizacional ganhou as luzes da fama a partir do vínculo estabelecido entre certos traços culturais e sucesso empresarial.

Cultura organizacional é o modo de vida próprio que cada organização desenvolve, a cultura organizacional repousa sobre o sistema de crenças e valores, tradições e hábitos, uma forma aceita e estável de relações e interações, típicas de cada organização.  Esta organizacional pode ser percebida sobre certos aspectos como formais e abertos os quais são percebidos com facilidade, e os aspectos informais e ocultos, onde há dificuldade de percepção.

Os aspectos formais são a parte visível da organização, envolve as políticas e diretrizes, métodos e procedimentos, objetivos estrutura organizacional e tecnologia adotada.

Os aspectos informais ficam na parte oculta da empresa que envolve percepções, sentimentos, atitudes, valores, interações informais e normas grupais.

A cultura dentro da organização não é estática nem permanente, sofre alterações com o tempo dependendo de condições internas e externas. Certas organizações conseguem renovar continuamente sua cultura, mantendo sua integridade e personalidade, enquanto outras permanecem com sua cultura amarrada a padrões antigos e ultrapassados; mudar apenas a estrutura organizacional não é o suficiente para mudar a organização. A mudança dentro da organização vem a partir do momento em que mudam-se sistemas dentro dos quais pessoas vivem e trabalham. Reporte-se então, ao conceito de cultura organizacional como sendo o composto de três dimensões:  material – sistema produtivo; psicossocial – sistema de comunicação e interação dos envolvidos;  ideológica – sistema de valores vigentes na organização.

Quando se consegue criar um clima organizacional que propicie satisfação das necessidades de seus participantes e que canaliza seus comportamentos motivados para realização dos objetivos da organização, simultaneamente tem-se um clima propicio ao aumento da eficácia da mesma.

3.6 Clima X Cultura Organizacional


É importante ressaltar que não são intercombináveis os conceitos de cultura e clima organizacional. O clima não aponta os modos institucionalizados de agir e de pensar.

O clima mapeia o ambiente interno que varia segundo a motivação dos agentes. Aprende suas reações imediatas, suas satisfações e suas insatisfações pessoais: desenha um retrato dos problemas que a situação do trabalho, a identificação como a organização e a perspectiva de carreira eventualmente provocam na cultura organizacional constituem sistemas de referencias simbólicas e moldam as ações de seus membros segundo um certo figurino. Ao servir de elo entre o passado e o presente, contribuem para a permanência e a coesão da organização. E diante das exigências que o ambiente externo provoca, formam conjunto de soluções relativas à sobrevivência, à manutenção e ao crescimento da organização.

3.7 Mudança da Cultura e do Clima Organizacional  


A organização é um sistema humano dinâmico e complexo, com características próprias da cultura e clima organizacional. Esse conjunto de variáveis deve ser continuamente observado, analisado e aperfeiçoado para que resultem em motivação e produtividade. Para mudar a cultura e o clima organizacionais, a organização precisa ter capacidade inovadora, ou seja:

1 - Adaptabilidade: capacidade de resolver problemas e de reagir de maneira flexível às exigências mutáveis e inconstantes do meio ambiente. Para ser adaptável a organização deve ser flexível, para poder adaptar e integrar novas atividades e ser receptível e transparente a novas idéias, venham elas de dentro ou de fora da organização.

2 - Senso de identidade: ou seja, o compartilhamento e comprometimento de todos os participantes quanto aos objetivos da organização.

3 - Perspectiva do meio ambiente: ou seja, a percepção realista através da capacidade de investigar, diagnosticar e compreender o meio ambiente.

4 - Integração entre os participantes: de tal forma que a organização possa se comportar como um todo orgânico e integrado.

5. CONCLUSÃO


Saber como são os indivíduos que formam a massa de trabalho dentro de uma organização, permite ao administrador de recursos humanos intervir com ações adequadas, obtendo dentro dessa organização um clima favorável e conseqüentemente um melhor resultado na produtividade da empresa.

Atualmente torna-se cada vez mais necessário à área de RH mensurar suas ações através de procedimentos técnicos que possam respaldar ao máximo sua atuação nas organizações. O lema aqui é transformar a área de recursos humanos em um centro de lucro tendo uma participação ativa e eficiente. Mas, em se tratando, de motivação, como medi-la? Como mensurar algo que nos parece tão abstrato e de âmbito essencialmente pessoal?

Bem, parece que quantificar a "motivação em si" é uma tarefa realmente complicada. Entretanto, hoje já contamos com alguns instrumentos que podem nos ajudar a nos aproximar um pouco mais deste conceito, através da sua operacionalização em outros mais tangíveis (avaliando o nível de satisfação do colaborador com a empresa, com as lideranças, com o ambiente de trabalho, etc.). Um destes instrumentos é a Pesquisa de Clima Organizacional.

Com os resultados da pesquisa nas mãos, pode-se propor um Plano de Ação, coerente com o planejamento estratégico que traçará as principais diretrizes de ação frente aos dados obtidos, para conseguir a motivação das pessoas no alcance das metas desejadas pela organização com a satisfação dos colaboradores.

REFERÊNCIAS


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